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ENSAIO ASTROLÓGICO · · 4 MIN DE LEITURA

Lua Cheia em Áries: a coragem de confiar no que sentimos

POR FERNANDA PENTEADO

Lua cheia sobre uma paisagem montanhosa em tons de bordô, com uma flor solitária junto à água.

Às vezes, sabemos que alguma coisa precisa mudar antes de conseguir explicar o quê. O corpo percebe. Uma conversa pesa mais do que antes. Um acordo que parecia natural começa a apertar. Surge um desejo que ainda não tem forma, mas já não aceita ser deixado de lado.

A Lua Cheia em Áries, no dia 26 de setembro, ilumina esse intervalo entre sentir e saber. A Lua se opõe ao Sol em Libra e coloca em evidência uma pergunta conhecida, mas nem sempre fácil de responder: quanto de mim cabe nas relações que estou vivendo?

Libra nos lembra que a vida acontece no encontro. Áries nos devolve à experiência de ser alguém, com vontade própria, ritmo próprio e limites. O desafio não é escolher entre o eu e o outro. É perceber quando o esforço para manter a harmonia nos afasta da nossa verdade — e quando a pressa de afirmá-la nos impede de escutar.

Esta Lua está muito próxima de Netuno. Por isso, o que vem à tona pode não chegar com a nitidez que gostaríamos. Podemos sentir uma urgência de mudar tudo sem ainda entender a origem do incômodo. Também podemos confundir uma intuição com uma expectativa, ou reagir à situação presente com a força de uma história mais antiga.

Parar um pouco, aqui, não significa ignorar o sentimento. Significa lhe dar espaço para falar antes de transformá-lo em decisão. O que aconteceu? O que eu senti? O que estou imaginando? O que preciso reconhecer em mim, mesmo que ainda não saiba o que fazer com isso?

Quíron, retrógrado, voltou a Áries para uma última passagem por esse signo. Sua presença reabre questões ligadas à identidade, à autonomia e ao direito de desejar. Há feridas que nos fazem pedir licença até para sentir. Há outras que nos levam a defender nossa independência antes mesmo de perceber se estamos sendo ameaçados. Olhar para elas é uma forma de descobrir onde a nossa verdade ainda precisa de cuidado para conseguir existir.

Marte, regente de Áries, está no último grau de Câncer. Ele faz uma quadratura muito próxima com Quíron e também tensiona, por quadratura, o eixo desta Lua Cheia. A imagem é forte: o impulso de agir encontra uma necessidade emocional que talvez tenha sido protegida, contida ou adiada por tempo demais. Podemos querer avançar e, ao mesmo tempo, precisar de abrigo. Podemos sentir raiva e encontrar, sob ela, cansaço, tristeza ou uma necessidade não atendida.

Nem todo movimento interno é linear. Às vezes, confiar em si começa por aceitar essa oscilação e perceber o que ela revela. O sentimento não precisa oferecer todas as respostas para merecer atenção.

Nos dias seguintes, Marte entra em Leão e caminha para uma oposição a Plutão em Aquário. O que agora aparece como desconforto pode ganhar intensidade, especialmente onde há disputas de vontade ou situações mantidas à força. Isso nos convida a perguntar: consigo sustentar o que reconheço como verdadeiro sem transformar essa verdade numa batalha? Quando evitamos indefinidamente uma conversa ou um limite necessário, a pressão tende a crescer.

Mercúrio está em Libra, em oposição ampla a Quíron e em quadratura a Marte. Talvez as palavras ainda não saiam prontas. Podemos hesitar entre dizer o que sentimos e preservar a paz; ou falar no calor da reação e depois perceber que havia mais a compreender. Conversas importantes são possíveis, mas pedem honestidade e escuta. Às vezes, um começo suficiente é dizer: “Ainda estou entendendo o que sinto, mas preciso conversar sobre isso.”

Vênus já está em Escorpião, próxima do ponto em que iniciará sua retrogradação em 3 de outubro, e forma uma quadratura com Plutão. Esse movimento aprofunda a revisão dos vínculos: o que desejamos, o que tememos perder, o que tentamos controlar e quais acordos já não correspondem à verdade de quem somos. Algumas respostas talvez precisem de tempo. Desacelerar pode nos ajudar a distinguir intimidade de medo, entrega de renúncia.

Mas há abertura no mapa. A Lua faz sextis próximos com Plutão e Urano, enquanto o Sol forma trígonos com ambos. Uma percepção inesperada, uma conversa diferente ou a coragem de enxergar um padrão podem criar possibilidades que antes não víamos. Netuno talvez não nos dê um plano completo. Ainda assim, podemos reconhecer uma direção.

Esta Lua Cheia não exige que saibamos imediatamente como será o próximo capítulo. Ela pede presença para notar aquilo que sentimos, discernimento para não confundir impulso com clareza e coragem para dar, no tempo possível, um passo coerente com a nossa verdade.

Porque nem toda verdade chega como certeza. Às vezes, ela começa como um sentimento que já não conseguimos ignorar.

Que parte de você está pedindo espaço para existir com mais verdade?

FERNANDA PENTEADO

Investigação Simbólica

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