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ENSAIO ASTROLÓGICO · · 3 MIN DE LEITURA

Primavera: a coragem de florescer com verdade

POR FERNANDA PENTEADO

Ramo florido em um vaso de pedra, iluminado pela luz quente da primavera sobre um fundo em tons de vinho.

Há quatro momentos no ano em que a natureza muda de direção. Dois solstícios e dois equinócios marcam a passagem das estações e nos lembram que a vida se transforma em ciclos.

No hemisfério sul, o equinócio de setembro anuncia a primavera. Depois do inverno, a luz ganha espaço. As sementes que permaneceram sob a terra começam a romper a superfície. Mas nada floresce no instante em que é plantado. Antes de aparecer, a vida cria raízes.

Talvez essa seja uma das perguntas mais bonitas que a primavera nos oferece: o que cresceu em você enquanto parecia que nada acontecia?

Na astrologia, o equinócio coincide com a entrada do Sol no grau zero de Libra, um dos pontos da cruz cardinal do zodíaco. É um novo começo, mas que não diz respeito apenas ao caminho individual. Libra nos chama a olhar para o espaço entre nós e os outros: nossos vínculos, nossas trocas e os acordos, muitas vezes silenciosos, que sustentam as relações.

É comum imaginar o equilíbrio como uma vida sem conflitos. Mas, às vezes, recuperar o equilíbrio significa reconhecer justamente o que já não está bem. Onde você tem oferecido mais do que pode? Em quais relações suas necessidades encontram espaço? O que tem sido mantido em nome da harmonia, embora lhe custe uma parte de si?

Essas perguntas ganham profundidade neste início de primavera. Vênus, regente de Libra, está em Escorpião e já percorre a zona de sombra da retrogradação que começa em 3 de outubro e dura cerca de quarenta dias. Os temas que agora se insinuam podem pedir uma revisão mais demorada: desejos, intimidade, confiança, reciprocidade e valor pessoal.

Escorpião nos convida a ir além das respostas que damos por hábito. Há desejos que evitamos admitir. Necessidades que aprendemos a diminuir. Relações nas quais permanecemos por amor, mas também, talvez, por medo de perder. Olhar para isso com honestidade não significa saber imediatamente o que fazer. Significa começar a ouvir o que é verdadeiro em nós.

O Sol em Libra também se opõe a Netuno em Áries neste equinócio. Essa configuração pode tornar o caminho menos nítido. Podemos perceber que algo está mudando sem conseguir dar nome à mudança; sentir que uma escolha se aproxima sem ter ainda todas as respostas. Há momentos em que a clareza não vem antes do primeiro passo. Ela nasce da atenção com que caminhamos.

Ao mesmo tempo, o trígono do Sol com Urano em Gêmeos abre espaço para outras possibilidades. Uma conversa diferente pode transformar um vínculo. Uma pergunta nova pode revelar uma saída que antes não víamos. Talvez o equilíbrio que buscamos não esteja em restaurar a antiga forma das coisas, mas em experimentar uma forma mais viva de nos relacionarmos com elas.

A primavera não pede que estejamos prontas. A natureza também não floresce inteira de uma vez. Cada broto aparece a seu tempo, depois de um trabalho invisível de preparação.

Que este novo ciclo nos encontre dispostas a cuidar do que deseja crescer. A reconhecer o que precisa de luz, o que precisa de espaço e o que já não pode continuar sendo cultivado da mesma maneira.

E que, ao olhar para nossas relações, possamos fazer uma pergunta simples e profunda: há lugar para que eu floresça aqui também?

FERNANDA PENTEADO

Investigação Simbólica

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